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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

17.Mai.07

O CANCRO DO CÓLON E RECTO

Todos os dias somos confrontados com a enorme diversidade de cancros que atingem a população. Mas será que somos efectivamente alertados para os mais incidentes? Para aqueles que mais matam no nosso país? Provavelmente não.

O Cancro do Cólon e Recto é, certamente, um daqueles com o qual estamos menos familiarizados, já que não tem a mesma projecção que o cancro da mama ou o do pulmão, no que toca a divulgação pelos meios de comunicação. E, no entanto, é dos cancros com maior mortalidade e incidência em Portugal.

O Cancro do Cólon e Recto resulta de um espessamento anormal da parede interna do intestino grosso e geralmente desenvolve-se a partir de pequenos pólipos, inicialmente benignos, que vão crescendo até criarem metástases (situação em que estamos já perante um carcinoma).

O Cancro Colo-Rectal pode ser considerado uma doença da civilização, afectando particularmente os países mais desenvolvidos, facto que está relacionado com a dieta rica em gordura animal e pobre em fibras. Entre os factores de risco que aumentam a susceptibilidade a este tipo de cancro podemos salientar: a idade (com o aumento da idade, aumenta a incidência de CCR), a história familiar e pessoal de cancro, a existência de pólipos colo-rectais (que devem ser removidos, mesmo que sejam benignos), doenças genéticas (como o Carcinoma do Cólon Hereditário Não associado a Polipose – CCHNP – ou como a Polipose Adenomatosa Cólica Familiar - PACF), doenças que afectam o intestino como é o caso da Doença de Crohn ou da Colite Ulcerosa e ainda a alimentação (o consumo excessivo de gorduras animais e alimentos fumados e a pobreza em vegetais, fruta, fibras, cálcio, …), o excesso de peso, o sedentarismo e o tabagismo.

Nos últimos 30 anos tem-se verificado um aumento significativo da incidência deste tipo de cancro, que afecta mais os homens e que é diagnosticado sobretudo a partir dos 50 anos (cerca de 50% dos casos). Este cancro afecta sobretudo o recto, o cólon ascendente e o sigmóide.

Mais de metade dos casos quando diagnosticados, já não são curáveis, resultando na morte da pessoa afectada. Actualmente, o Cancro do Cólon e Recto é aquele que mais mata em Portugal, com uma média de 10 mortes/dia.

A prevenção tem de ser uma arma a utilizar contra estes números, para que se possa, por um lado, diminuir a incidência de CCR na população e, por outro, a mortalidade enquanto consequência de um diagnóstico tardio. É assim importante uma prevenção primária através da sensibilização das pessoas para esta realidade que é o Cancro do Cólon e Recto, informando-as destes números alarmantes e de que é possível prevenir, adoptando comportamentos e estilos de vida mais saudáveis. Entre as medidas a tomar revelam-se importantes a prática de exercício físico regular e sobretudo a adopção de uma alimentação adequada, hipo-lipídica, rica em fibras, fruta, vegetais, peixe e oligoelementos (como o cálcio, ácido fólico, selénio, vitaminas A, C, D e E). Também é significativo que as pessoas estejam alertadas para os sintomas do CCR, havendo assim uma maior vigilância individual para que não hesitem em caso de dúvida a procurar um especialista. O CCR pode provocar a alteração dos hábitos intestinais, diarreia, obstipação, sangue nas fezes, desconforto abdominal, perda de peso, cansaço, … Por fim, é ainda fundamental a sensibilização da população para a importância do diagnóstico precoce, que aumenta significativamente a taxa de sucesso dos tratamentos e, consequentemente, a estimulação da população para a prática de uma prevenção secundária.

A prevenção secundária é realizada em indivíduos assintomáticas que aparentemente não têm a doença, através do rastreio do CCR. Este rastreio pode ser feito através da PSO (pesquisa de sangue oculto nas fezes), SF (sigmoidoscopia flexível), colonoscopia (é o método de rastreio mais eficaz e completo), polipectomia, …

A prevenção terciária é levada a cabo em indivíduos que já contraíram a doença e consiste no tratamento da mesma. Consoante a fase da história natural da doença em que esta é diagnosticada, as características particulares do paciente (idade e outras patologias), escolhe-se o tipo de tratamento, que pode ter fins curativos ou paliativos.

Concluindo, o Cancro Colo-Rectal é um dos cancros mais incidente e que mais mata em Portugal. Logo, revela-se fundamental a divulgação desta realidade negativa e a instigação da população no sentido de tomar medidas preventivas e facilitar o diagnóstico precoce.

 

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